O ano de 2015 tem sido para nós brasileiros, um período de incertezas e de profunda indignação com os rumos políticos e econômicos do país. O sentimento de angústia e de perplexidade com o atual cenário, ressuscita, mesmo que minimamente, a volta de um debate acalorado sobre as medidas necessárias para sairmos dessa recessão monetária, política, e diria, moral. Por todo o Brasil, existe movimentos que questionam a atual situação desse Estado Nacional tão rico, e tão desigual ao mesmo tempo.
Quando falo de desigualdade, vem a minha mente, e claro de você leitor, as práticas corruptivas que são notícias pela grande mídia brasileira. São vários escândalos, inúmeros desvios de verbas, rotineiro tráfico de influências na administração pública, falhas gravíssimas de gestão, e um governo federal que na representatividade da presidente da república, e de seu partido, fugiu completamente da interessante ideologia dos anos 80 que visava a participação e a representatividade dos trabalhadores na política brasileira. Na efervescência dos movimentos sociais contra governo ditatorial, o hoje ABCD paulista foi berço de lutas e embates contra a caótica condição social, cidadã e econômica, da sociedade na época.
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| Brasil em crise, e sociedade visivelmente fragmentada |
Pois bem, esse é um campo árido no qual preciso ter um cuidado para não cair no imediatismo de culpabilizar uma instituição, ou algumas pessoas pelos problemas estruturais do Brasil. O levante contra a atual administração, e contra determinado partido vem ganhando as ruas, e acirrando os ânimos de uma população ávida por mudanças que melhorem a vida de cada brasileiro. O protesto é legítimo e válido, e particularmente, sou muito a favor de tensionar veementemente o atual governo eleito nas eleições do ano passado.
Vejam que, a partir de agora, irei seguir uma linha de raciocínio que alguns entenderão e outros discordarão, o que é totalmente válido na democracia e na construção coletiva de idéias a qual propõe esse blog. São inúmeros fatores que provocam esse mar de lama que vivenciamos, que envolve corrupção, desigualdade social, burocratização e falhas de sistema e de planejamento, partidos políticos retrógados, congresso conservador, ideologia neoliberal, parcela de uma população desinformada, e interferências externas, que ditam os rumos desse país.
Quero lembra-los que hoje, o Brasil ainda é a 7º maior economia do mundo, e paradoxalmente, ocupamos o 85º lugar no índice de Desenvolvimento Humano, que contemplam as dimensões do padrão de vida, da educação e da saúde de cada cidadão brasileiro. Estamos em um país rico que não distribui essa riqueza socialmente. A conta não fecha. E porque isso acontece?
A conta não fecha por inúmeros fatores. O Brasil possui uma reserva de dinheiro que não pode ser usado pras melhorias sociais no qual almejamos. A busca pelo Superávit primário, delimita o nosso orçamento, pois o nosso dinheiro vai para o pagamento da dívida pública do país. Pagamos juros exorbitantes aos estrangeiros e ao FMI. Então aquele papo de 2005 de que não devemos ao Fundo Monetário Internacional é balela.
Não existe e não há uma auditoria dessa dívida, que infelizmente é impagável. Inevitavelmente, parte das nossas riquezas que são sucumbidas pela corrupção, também serão destinadas a pagamentos de juros exorbitantes para o exterior. E isso acontece do governo Collor, até o atual governo da Dilma Rousseff. Sem distinção de presidentes e de partidos. Essa é uma das lógicas neoliberais que acabei citando a dois parágrafos anteriores.
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| Brasil e as suas desigualdades |
A partir dessa lógica, junta-se o atual congresso nacional, que tem inúmeros políticos apoiados por banqueiros, por grandes agropecuários (bancada ruralista), empresários que apoiam leis que vão contra os interesses do povo. O debate da reforma agrária, do fim do Fator Previdenciário, da auditoria da divida, da transferência de renda, da lei da responsabilidade fiscal, de leis punitivas contra a corrupção, inexiste no congresso federal. O que vemos é a discussão de uma provável lei que aleija os direitos trabalhistas, vide a PL da Terceirização.
E não vou entrar na questão sociológica da construção do Brasil, até porque isso é um outro debate muito mais denso. Meu objetivo era explanar algumas situações tão agravantes quanto a corrupção, algo tão irraizado nesse país. Vencer as práticas burocráticas, a subordinação da ordem mundial, pensarmos em políticos que não se curvem a ordem do capital, são alguns desafios que nós cidadãos temos que começar a analisar. A vida está difícil porque há uma desigualdade. E essa desigualdade tem causas, motivos e efeitos. Por isso a importância em ir pras ruas sabendo o que está fazendo e o que está reivindicando. A cobrança deve ser em cima do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Todos tem a sua parcela de culpa. Nosso país só terá jeito, a partir do momento que analisarmos a realidade em sua totalidade, ao invés de apontarmos no calor da emoção, meia dúzia de culpados. Tudo claro, na minha humilde opinião!
Abraços, e até a próxima!

