quinta-feira, 12 de março de 2015

15 tons de incertezas

Olá meus caros amigos leitores. O título do meu texto de hoje é bem sugestivo, pois a moda do momento é o tão badalado 50 tons de cinzas, obra essa que está mexendo com o imaginário dos leitores e dos espectadores do mundo todo. Escolhi especialmente esse título pois quero me remeter a uma data que pra alguns marcará um fato histórico no nosso país. Pra ser mais específico, vou me referir ao emblemático 15 de Março de 2015, dia que teoricamente será lembrado por contundentes manifestações da sociedade brasileira contra o governo federal, e contra as suas ações impopulares.

Tocar nesse tema é complicado, e sinceramente, não é meu desejo escrever um texto recheado de um cego partidarismo implícito. Falo aqui como um cidadão comum que está indignado com a volta da inflação, com o aumento dos impostos, com os cortes de gastos nas áreas sociais, com a desvalorização das aposentadorias, com a ineficiência da educação, da saúde, da má distribuição de renda, da corrupção... Enfim. motivos para protesto realmente não faltam. Acredito que é hora e vez de cada um de nós nos mobilizarmos contra os mandos e desmandos das autoridades superiores.


Esse tipo de mobilização requer uma união de forças de todos os segmentos da sociedade em prol de mudanças de rumos do Brasil... Vivemos um período conturbado, de uma importante recessão, de economia enfraquecida, Dólar em alta, desvios de dinheiro público... Tudo isso já sabemos. E devido a esse contexto, programaram um dia específico pra parar o Brasil. E esse dia escolhido foi justamente em um domingo. Curioso não? Mas Domingo?

Algumas coisas me causaram estranheza. Porque justamente nesse dia? O impacto das manifestações seriam muito maiores se fossem realizadas em um dia de semana. Quem me acompanha no Twitter sabe que sempre ressaltei a importância do povo brasileiro sair da sua zona de conforto e ir pra rua, pois ali é um espaço democrático, e o principal espaço de lutas que temos para confrontarmos as atitudes arbitrárias em todas as instâncias da esfera política, seja ela municipal, estadual ou federal. Teremos uma continuidade das manifestações ao longo da semana, ou será um simples lampejo popular no dia mundial do descanso?

E é partir desse ponto que quero desenvolver o meu raciocínio. Eu não sei o que esperar da sociedade civil nesse dia 15. Percebo a indignação, a revolta, o desejo de muitos para a mudança de novos rumos para esse país. Quero explicitar, e o meu propósito será sempre esse, de construir coletivamente uma discussão que nos leve a um ponto central. Hoje, estamos preparados para uma manifestação única, coesa, com as reivindicações definidas? Hoje, somos sabedores das reais necessidades do Brasil? Temos uma consciência crítica capaz de percebermos que a raiz central dos problemas se deve a má distribuição de renda, desvios de recursos e a politicagem? 

A incerteza de como será e de que maneira será as manifestações, é o que me aflige. Eu acredito que teremos pessoas que se manifestarão de forma consciente politicamente dos seus atos. Mas também me pergunto se no domingo veremos torcedores de partidos nas ruas. Nada contra partidos políticos. Nada contra os seus apoiadores. Mas se tivermos esses torcedores nas manifestações, isso me levará a crer que a guerra do poder pelo poder é maior que a bandeira da justiça social que tanto sonho, assim como a maioria dos brasileiros de bem.

Tudo que é superficial não atinge o resultado esperado. Passou da hora de nós cidadãos brasileiros tensionarmos o que realmente importa, ou seja, atacar as raízes dos problemas. Nossas instituições, o nosso congresso, a presidente, a politicagem, a burocracia, as nossas leis retrógadas, as empresas privadas, a avareza do capitalismo, tudo isso devem ser questionados. Culpabilizar uma, duas, ou três pessoas pelos problemas sócio históricos desse país continental,  é no mínimo incoerente e irracional. 

A razão, a informação, e a vontade de exigir uma política justa e de leis aplicáveis sem distinção de poder aquisitivo é dever do povo. Agora, se caminharmos pro lado da emoção, do fanatismo, do desconhecimento, do imediatismo, e da baderna desorganizada, nada irá mudar. Só o grito politizado das ruas pode parar com os desmandos e as injustiças desse país. Mas se for pra gritar PT de um lado, e PSDB do outro, fique em casa no domingo e assista um filme, veja o seu time jogar, ou vai dormir, porque isso é politicagem. E essa polarização é a coisa mais desnecessária que pode ocorrer nesse momento. A hora é de união! Estamos preparados pra nos unirmos? Sim? não? eu sinceramente, não sei!

Abraços e até a próxima! 









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